segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

TOYOTA CELICA TURBO 4WD

Rally da Catalunha 1992
C. Sainz / L. Moya





Carlos Sainz abriu a chave do êxito à Toyota no início de 1990 e o mesmo fez a marca japonesa com o piloto espanhol. Com um carro demasiado grande para os traçados do Mundial, a mecânica nipónica e a destreza de Sainz ao volante, os títulos não tardaram a chegar. No Rally da Catalunha de 1992 vivera-se momentos intensos que culminaram com a vitória de Sainz, que deu um passo de gigante para conquistar o seu segundo título mundial de pilotos.
A Toyota foi a primeira marca de automóveis japonesa que tentou impor-se às marcas europeias no Mundial de Rallies. A aventura não foi fácil e os primeiros triunfos só tiveram lugar na década de 1990. Foi um prémio para a regularidade, porque a primeira presença de um Celica na Europa teve lugar no RAC Rally de 1972 e saldou-se num nono lugar.
O Celica Turbo 4WD foi o «navio almirante» da Toyota e ofereceu a Carlos Sainz dois títulos de pilotos (1990 e 1992), aos quais se juntaram mais outros dois com Juha Kankkunen (1993) e Didier Auriol (1994). Além disso, nas duas últimas temporadas citadas, a marca japonesa obteve dois título de construtores e detronou a Lancia,que tinha dominado nos anos anteriores.




A estreia do Celica Turbo 4WD no Mundial ocorreu no Tour de Corse de 1988 a cargo do Toyota Team Europe. As lutas protagonizadas entre os Celica e os Lancia desde finais da década de 1980 até meados da década de 1990 ainda na memória dos fãs.
Carlos Sainz chegou ao Rally da Catalunha de 1992 com a necessidade imperiosa de ganhar, isto se queria voltar a sagrar-se Campeão do Mundo de Pilotos, feito que já tinha conseguido em 1990. A sua relação com o Catalunha Costa Brava era de contínuos altos e baixos porque se já tinha ganho a prova por duas vezes, também já nela sofrera vários abandonos e acidentes.
Nesse tempo, a prova catalã do Mundial era formada por três etapas, a primeira em asfalto e as outras duas em terra. Isso não o beneficiava muito porque o seu Celica não tinha tão boas performances neste último piso, entre outros motivos devido às suas excessivas dimensões; tal como os Lancia Delta da Martini Racing, pilotados pelos seus mais diretos rivais na luta pelo campeonato, Didier Auriol e JUha Kankkunen.



O espanhol aproveitou bem o piso onde o seu Celica se dava melhor, o asfalto, e concluiu a primeira etapa com 1'49'' de vantagem sobre Auriol e 2'24'' sobre Kankkunen.
Nas duas etapas de terra viu encurtada essa distância para uns suficientes 36'' sobre o finlandês no final do rally, ao passo que Auriol, com problemas mecânicos e um despiste, acabou em décimo.
Foi uma edição inesquecível, na qual o público apoiou o piloto espanhol, que deu um passo de gigante na presença dos seus admiradores no caminho rumo ao seu segundo título mundial.
Estava tudo em jogo no último rally da temporada, o RAC britânico, ao qual os três interessados chagaram separados por apenas três pontos. Após três dias de intensa emoção, Sainz obteve a vitória e sagrou-se Campeão do Mundo pela segunda vez. A temporada de 1992 foi exemplar para Carlos Sainz, que alcançou a vitória em quatro rallies: Safari, onde ganhou a Kankkunen por 52 minutos, Nova Zelândia, Catalunha e RAC, e também para um carro que obteve 16 vitórias ao longo de dois anos no Mundial, de 1992 a 1994. Sainz deixou a Toyota em 1993 para entrar para a Lancia.



 Pos  Nr  Driver/Car  Nat   Gr  Time  Pen. 
 1st  4  Sainz, Carlos
 Toyota Celica Turbo 4WD (ST185)
   ES   A8    6h 21m 13s    --:-- 
 2nd  5  Kankkunen, Juha
 Lancia Delta HF Integrale
   FI   A    +36s    --:-- 
 3rd  7  Aghini, Andrea
 Lancia Delta HF Integrale
   IT   A    +1m 32s    --:-- 
 4th  6  Fiorio, Alessandro
 Lancia Delta HF Integrale
   IT   A    +6m 26s    --:-- 
 5th  1  Schwarz, Armin
 Toyota Celica Turbo 4WD (ST185)
   DE   A    +8m 30s    --:-- 
 6th  18  Puras, Jesus
 Lancia Delta HF Integrale
   ES   A    +8m 30s    --:-- 
 7th  8  Trelles, Gustavo
 Lancia Delta HF Integrale
   UY   A    +10m 17s    --:-- 
 8th  17  Diego, Pedro
 Lancia Delta HF Integrale
   ES   A    +22m 17s    --:-- 
 9th  16  bin Sulayem, Mohammed
 Ford Sierra Cosworth 4x4
   AE   N    +41m 00s    --:-- 
 10th  3  Auriol, Didier
 Lancia Delta HF Integrale
   FR   A    +50m 59s    --:-- 


CITROËN SAXO S1600

Rally da Catalunha 2002
D. Solà / A. Romaní




O Saxo S1600 é um bom exemplo de como um carro utilitário se pode transformar num autêntico carro desportivo, com performances inimagináveis. Já faz tempo que a Citroën permanece fiel às fórmulas de promoção e os bons resultados estão a dar-lhe razão. O catalão Dani Solà destacou-se com o Mundial Júnior após ter ganho três das seis provas pontuáveis ao volante do seu Citroën Saxo.
Há anos que as fórmulas se impuseram no desporto do motor e não serviram apenas para os pilotos acumularem experiência e subir escalões até alcançarem a competição de elite, mas também para as marcas desenvolverem os seus modelos nascidos, na maior parte das vezes, de carros de série. A Citroën teve isto em linha de conta e envolveu-se nestas fórmulas de promoção, como a Challenge Saxo Rally, o Troféu Saxo T4, a Challenge Saxo Rallycross e o Troféu Saxo Super 1600 séries surgiu no Tour de Corse 2001 como uma nova categoria do Mundial, e neste a Citroën desenvolveu o Saxo Super 1600, uma versão desportiva do utilitário da marca francesa, com uma potência de 200 cv.


Sèbastien Loeb, que se tinha estreado dois anos antes com o primeiro Saxo kit car, ganhou o primeiro título em 2001 ao volante de um Saxo S1600, o que lhe permitiu no ano seguinte dar o salto para a categoria máxima com um Xsara WRC.
O carro nasceu em 1996 como substituto do AX, embora a semelhança entre ambos seja quase nula, uma vez que o Saxo representa um novo estilo de veículo pelo seu design de formas suaves e arredondadas. Homologado em 1997, as qualidades do carro colocaram-no imediatamente na linha da frente e os êxitos não tardaram a chegar.
Depois de ganhar o primeiro título com Loeb, um piloto catalão, Dani Solà, destacou-se e voltou a alcançar o título Mundial de Júnior, nova denominação da categoria.
Juntamente com Solà subiram ao pódio os seus colegas de equipa, o italiano Andrea Dallavilla e o finlandês Janne Tuohino.


O domínio no Mundial tem vindo a ser comprovado pelos êxitos nos campeonatos nacionais, nos quais o Saxo S1600 ganhou dois títulos em Espanha (de pilotos, com Jesús Puras e de construtores), Alemanha, França, Bélgica, Hungria e Portugal.
O título de Solà no Mundial Júnior de 2002 ficou a dever-se às três vitórias alcançadas em seis das provas que formam a categoria. Obteve o seu primeiro triunfo no Rally da Catalunha, e depois seguiram-se os da Alemanha e do RAC, onde começou com um ponto de desvantagem em relação ao seu companheiro e rival Andrea Dallavilla, que teve que se contentar com o segundo lugar na final, a mesma posição que ocupara em 2001, quando ficara atrás de Loeb.
O triunfo indiscutível de Solà na prova britânica valheu-lhe, aos 27 anos, o tão apreciado título e uma grande projeção no mundo dos rallies.
A vitória absoluta começou a forjar-se na Costa Brava, com uma final emocionante entre Solà e Dallavilla. Os dois pilotos da Citroën lançaram-se à vitória na última especial da corrida, uma segunda passagem por Viladrau (35,18 km), e o piloto catalão bateu finalmente o seu rival por 50,3 segundos, após o italiano sofrer um furo quando faltavam 7 km para o fim do rally.



Pos.
#
Entry
Car
Team
Gr.
Cat.
Time
Penalty
Diff.
Diff. pr.
Km/h
s/km
1.
#65
Sola, Dani - Romani, Alex
Citroen Saxo S1600
A6
3:52:11.5
90.0
2.
#51
Dallavilla, Andrea - Bernacchini, Giovanni
Citroen Saxo S1600
A6
3:53:01.8
+50.3
+50.3
89.6
0.14
3.
#53
Basso, Giandomenico - Pirollo, Luigi
Fiat Punto S1600
A6
3:54:25.6
+2:14.1
+1:23.8
89.1
0.39
4.
#64
Galli, Gianluigi - D'Amore, Guido
Fiat Punto S1600
A6
3:58:46.3
+6:34.8
+4:20.7
87.5
1.13
5.
#62
Tuohino, Janne - Vihavainen, Petri
Citroen Saxo S1600
A6
3:59:31.3
+7:19.8
+45.0
87.2
1.26
6.
#55
Duval, Francois - Fortin, Jean-Marc
Ford Puma S1600
A6
3:59:33.1
1:40
+7:21.6
+1.8
87.2
1.27
7.
#57
Galanti, Alejandro - Amigo, Xavier
Ford Puma S1600
A6
4:02:40.2
+10:28.7
+3:07.1
86.1
1.81
8.
#68
Schelle, Niki - Weiss, Gerhard
Suzuki Ignis S1600
A6
4:04:35.2
+12:23.7
+1:55.0
85.4
2.14
9.
#71
Doppelreiter, David - Lettner, Thomas
Peugeot 206 S1600
A6
4:06:25.8
+14:14.3
+1:50.6
84.8
2.45
10.
#63
Rowe, Martin - Wood, Chris
Ford Puma S1600
A6
4:10:42.4
+18:30.9
+4:16.6
83.3
3.19

PEUGEOT 206 WRC

Rally Mille Miglia 2003
M. Campos / C. Magalhães



Até 2003, o Mille Miglia foi um território privado dos italianos. Nenhum estrangeiro se tinha imposto nas difíceis estradas de montanha que rodeiam o lago de Garda, situado a norte do país.
O português Miguel Campos, ao volante de um Peugeot 206 WRC, quebrou a tradição e impôs-se depois de mil penalidades e contratempos.
A Peugeot regressou à elite dos rallies doze anos após ter obtido dois títulos consecutivos de marcas, em 1985 e 1986, e também de pilotos, com os finlandeses Timo Salonen e Juha Kankkunen, respetivamente, ao volante do 205 Turbo 16. E com a criação do 206 WRC, após ter desenvolvido outro modelo, o 306 Maxi kit car, e de criar toda a infra-estrutura necessária para enfrentar o Mundial com garantias. Depois de um ano de adaptação, o 206 arrasou e ganhou os três últimos títulos de marcas e o de pilotos em 2000 e 2002 com o finlandês Marcus Grönholm.
Contudo, a Peugeot também cobriu outras frentes da competição para além do Mundial. O Campeonato da Europa, que arranca com o célebre Mille Miglia italiano, é outro dos seus objetivos. Nunca, nas 26 edições anteriores, um piloto não italiano tinha alcançado a vitória neste rally, uma prova pontuável para o Europeu de Rallies que se disputa ao longo de 299 km de trocos cronometrados em torno das montanhas que rodeiam o lago de Garda.


Em 2003, o grande favorito à vitória era o experiente belga Bruno Thiry que, aos comandos do seu 206 WRC, dominava nos prognósticos. Também havia interesse por ver em ação, ao volante de um carro idêntico, o português Miguel Campos. Renato Travaglia, atual Campeão da Europa que havia vencido as duas últimas edições da corrida italiana, disputava este ano a categoria Super 1600. E Franco Cunico, seis vezes vencedos da prova, partia como favorito no grupo N com o seu Mitsubishi Lancer Evo VII. O piloto de Famalicão não começou bem o rally porque na primeira super especial (que serve para apresentar os concorrentes ao público e não deve incidir na classificação) foi penalizado com três minutos por um erro no percurso e só realizou duas voltas ao traçado em vez de três regulamentares. Contudo, isto não o impediu de começar a conseguir «scratchs» a partir dessa altura. Assim, no final do segundo dia já tinha subido do fundo da classificação para o quarto lugar graças a uma recuperação soberba, o que o obrigou a andar nos limites durante grande parte da prova. Os esforços de Miguel Campos foram igualmente compensados com a desistência de Thiry, o seu principal rival no Campeonato da Europa, que partiu a transmissão do seu 206 WRC.


A liderança passou para o italiano Luca Pedersoli, com um 306 que tinha sido de Travaglia, que no final da segunda etapa contava com pouco mais de cinquenta segundos sobre Campos, que não fazia mais que recuperar posições de forma imparavél. Ia decidir-se tudo no último dia, que começou muito mal para o piloto luso. Um erro numa curva da primeira especial e o seu carro embateu num rail de segurança danificando o pará-choques, o que provocou um pequeno furo numa roda e a perda de 28 preciosos segundos. Teve oportunidade de reparar a transmissão danificada e seguiu, obtendo os melhores tempos nas últimas especiais, para acabar por chegar à vitória com 22 segundos de vantagem sobre Pedersoli e ganhando os primeiros 200 pontos do campeonato. Completou o pódio Giandomenico Basso com o seu Fiat Punto. Assim, a Peugeot conseguiu colocar no pódio três carros diferentes, já que aos 206 e 306 Maxi de Miguel Campos e Pedersoli, respetivamente, se juntou o terceiro lugar Super 1600 de Renato Travaglia (206), que perdeu um minuto na penúltima especial por causa de um furo.



Pos.
#
Entry
Car
Team
Gr.
Cat.
Time
Penalty
Km/h
s/km
1.
#4
Campos, Miguel - Magalhães, Carlos
Peugeot 206 WRC
Peugeot Total Silver Team
A8
3:35:49.7
83.1
2.
#23
      
Pedersoli, Luca - Vernuccio, Daniele
Peugeot 306 Maxi
A7
3:36:12.1
83.0
0.07
3.
#6
Basso, Giandomenico - Melegari, Zelindo
Fiat Punto S1600
A6
3:38:20.8
82.2
0.51
4.
#10
Longhi, Piero - Baggio, Lucio
Subaru Impreza STi
Aimont Racing Team
N4
3:38:24.4
82.2
0.52
5.
#11
Cunico, Gianfranco - Pirollo, Luigi
Mitsubishi Lancer Evo VII
N4
3:39:14.0
81.9
0.68
6.
#1
Travaglia, Renato - Zanella, Flavio
Peugeot 206 S1600
F.P.F. Sport
A6
3:39:14.8
81.9
0.69
7.
#12
Aghini, Andrea - Roggia, Loris
Peugeot 206 S1600
F.P.F. Sport
A6
3:39:28.1
81.8
0.73
8.
#7
Andreucci, Paolo - Andreussi, Anna
Fiat Punto S1600
Procar
A6
3:40:46.8
81.3
0.99
9.
#5
Galli, Gianluigi - D'Amore, Guido
Mitsubishi Lancer Evo VII
Ralliart Italia
N4
3:41:36.9
81.0
1.16
10.
#20
Cantamessa, Luca - Capolongo, Piercarlo
Renault Clio S1600
A6
3:43:12.3
80.4
1.48